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Tratamento e cuidado

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Caminho

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Como é tratado o lipedema?

Como é tratado o lipedema?

O tratamento do lipedema deve ser individualizado. Não existe uma única estratégia adequada para todas as pessoas, e a escolha depende principalmente dos sintomas, da função, das condições associadas, dos objetivos pessoais e da relação entre benefícios e riscos de cada intervenção.

O tratamento conservador pode combinar exercício, compressão, manejo nutricional e do peso, educação e autocuidado e, em situações específicas, outras intervenções fisioterapêuticas. Em pacientes selecionadas, procedimentos cirúrgicos também podem ser considerados.

A orientação sobre alimentação e exercício está reunida em dois caminhos próprios do Centro: Alimentação e lipedema e Atividade física e lipedema.

O que precisamos melhorar nesta pessoa - e qual intervenção possui uma relação razoável entre benefício, risco e impacto para esse objetivo?

O que estamos tentando tratar?

O objetivo pode ser reduzir dor ou hipersensibilidade, diminuir sensação de peso ou desconforto, melhorar mobilidade e função, aumentar capacidade para atividade física, melhorar qualidade de vida, favorecer autocuidado, manejar obesidade ou outras condições coexistentes ou, em determinados contextos, reduzir diretamente o volume de tecido adiposo em regiões selecionadas.

Tratamento não significa necessariamente fazer o tecido desaparecer.

Existe cura para o lipedema?

Até o momento, nenhuma intervenção demonstrou eliminar a causa subjacente do lipedema.

Melhorar sintomas, função ou reduzir tecido adiposo não é o mesmo que demonstrar cura.

Existe um tratamento padrão para todas as pessoas?

Não. A literatura e os documentos normativos sustentam uma abordagem individualizada que pode combinar diferentes estratégias. A necessidade de cada componente varia de pessoa para pessoa.

Ter o mesmo diagnóstico não significa precisar do mesmo tratamento.

Os sintomas melhoram todos ao mesmo tempo?

Os sintomas podem melhorar em ritmos diferentes. Em um estudo retrospectivo com 1.300 pacientes acompanhados em um serviço especializado, a tendência a manchas roxas e o inchaço estiveram entre as queixas mais persistentes. Algumas queixas de pele e dificuldades para caminhar apresentaram maior melhora nas análises realizadas.

Isso ajuda a compreender por que a evolução não deve ser avaliada por um único sintoma. O estudo, porém, não estabelece uma sequência obrigatória nem um prazo de recuperação para cada pessoa. Os cuidados recebidos variaram, e as principais análises de melhora incluíram grupos selecionados de participantes. Também não é possível atribuir os resultados a um medicamento, dieta ou exercício específico.

Fonte: Amato, Amato e Benitti, 2026.

Para que serve a compressão?

A terapia compressiva pode ajudar principalmente no controle de sintomas e no suporte mecânico.

Não existe um único tipo, material ou intensidade ideal para todas as pessoas, e comparações robustas entre diferentes estratégias ainda são uma lacuna.

Compressão não deve ser apresentada como uma forma de eliminar ou “queimar” o tecido adiposo do lipedema.

Toda pessoa com lipedema precisa usar compressão?

Não necessariamente da mesma maneira. A decisão deve considerar sintomas, tolerância, função, presença de edema ou outras condições associadas, rotina e objetivos.

A melhor estratégia teórica perde valor quando não é compatível com a vida real da pessoa.

E a drenagem linfática manual?

A drenagem linfática manual pode proporcionar alívio sintomático em situações selecionadas, especialmente quando existe um componente relacionado a fluido ou desconforto.

Não há suporte para afirmar que toda pessoa com lipedema precisa fazer drenagem linfática semanalmente, nem para apresentá-la como técnica capaz de reduzir diretamente o tecido adiposo.

O que é terapia descongestiva?

A terapia descongestiva combina diferentes componentes, que podem incluir compressão, exercícios, cuidados com a pele e, dependendo do contexto, drenagem linfática manual.

Pode haver benefício sobre sintomas e volume relacionado a fluido em situações selecionadas. Mas quando diferentes intervenções são aplicadas simultaneamente, existe dificuldade científica para atribuir qual componente produziu qual benefício.

Medicamentos podem fazer parte do cuidado?

Medicamentos podem ser indicados para condições que coexistem com o lipedema, como obesidade e alterações metabólicas. A escolha depende da avaliação clínica e dos objetivos do tratamento. Isso não significa que todo diagnóstico de lipedema exija medicação.

E os medicamentos que atuam sobre GLP-1?

A semaglutida atua no receptor de GLP-1. A tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1. Ambas têm evidências de benefício no tratamento da obesidade, dentro das indicações e dos critérios de cada medicamento. Esses resultados precisam ser diferenciados dos estudos sobre lipedema.

No lipedema, estudos observacionais registraram melhora de sintomas em parte das pessoas avaliadas. Ainda não permitem estabelecer quanto dessa melhora decorre do emagrecimento, de outros cuidados ou de uma ação específica do medicamento.

Eles revertem a fibrose ou impedem a progressão?

Esses efeitos ainda não foram demonstrados clinicamente pelas fontes examinadas. Hipóteses sobre inflamação e fibrose ajudam a orientar pesquisas, mas não sustentam promessas de reversão da doença.

Qual é o lugar de outros medicamentos?

O consenso norte-americano considera metformina quando há complicações metabólicas e menciona diosmina com suporte limitado. Isso não estabelece indicação universal nem comprova remoção da gordura do lipedema.

Diuréticos tratam lipedema?

Diuréticos não são recomendados como tratamento crônico rotineiro do lipedema. Quando prescritos por outra condição, sua necessidade deve ser discutida com o médico, sem interrupção por conta própria.

E a gestrinona?

Os estudos disponíveis não oferecem evidência clínica suficiente para recomendar gestrinona como tratamento específico do lipedema.

Ausência de evidência clínica de eficácia não é a mesma coisa que demonstrar, por si só, contraindicação absoluta.

E novas tecnologias de fisioterapia?

Algumas modalidades, como vibroterapia de baixa frequência e TECAR, possuem resultados preliminares em estudos pequenos. Permanecem classificadas como emergentes, necessitando validação independente e acompanhamento mais prolongado.

E a cirurgia?

A lipossucção pode ser considerada para pacientes selecionadas e está associada, nos estudos disponíveis, à redução do tecido adiposo tratado e à melhora de sintomas e qualidade de vida.

Além de estudos observacionais, o ensaio clínico randomizado LIPLEG comparou lipossucção com tratamento conservador em 410 mulheres com lipedema. O estudo encontrou maior redução da dor e melhora da qualidade de vida no grupo cirúrgico. Esses resultados ampliam a evidência disponível, mas precisam ser considerados junto aos riscos e às características das participantes.

Existir benefício clínico observado não significa que todas as perguntas sobre cirurgia estejam respondidas.

O que pode melhorar depois da lipossucção?

Nos estudos avaliados, foram relatadas melhoras em dor, sensibilidade, mobilidade e função, qualidade de vida, volume ou circunferência das regiões tratadas e, em algumas pessoas, redução da necessidade de determinadas medidas conservadoras.

A remoção de tecido adiposo e a redução de volume/circunferência são efeitos objetivos do procedimento.

Quem deve considerar cirurgia?

A indicação precisa ser individualizada e não deve ser determinada apenas pelo estágio morfológico.

A decisão deve considerar sintomas, impacto funcional, objetivos da pessoa, tratamentos previamente realizados, condições associadas, risco cirúrgico, expectativas e capacidade de participar dos cuidados perioperatórios.

Em pessoas pouco sintomáticas, a literatura consolidada não sustenta cirurgia rotineira por queixa exclusivamente estética sem carga clínica relevante.

É obrigatório fazer meses de tratamento conservador antes da cirurgia?

Os estudos disponíveis não estabelecem um número universal de meses que possa ser aplicado a todas as pessoas.

Critério administrativo, recomendação normativa e evidência científica não são necessariamente a mesma coisa.

Existe uma técnica cirúrgica melhor?

Foram estudadas técnicas tumescentes e modalidades assistidas, principalmente PAL e WAL. Até o momento, revisões comparativas não demonstraram superioridade clínica consistente de uma modalidade sobre as demais.

Não demonstrar superioridade não significa ter demonstrado equivalência.

A cirurgia pode lesar o sistema linfático?

Procedimentos cirúrgicos possuem riscos, e risco zero não pode ser prometido. Entre as complicações descritas estão hematomas, seromas, edema pós-operatório, alterações sensitivas transitórias, irregularidades de contorno, infecção, sangramento ou anemia, tromboembolismo e eventos linfáticos.

Existem dados clínicos e experimentais favoráveis à preservação linfática quando são utilizadas técnicas apropriadas.

Há evidências favoráveis à preservação linfática com técnica apropriada, mas isso não equivale a risco zero.

O resultado da cirurgia é permanente?

Existem dados observacionais mostrando manutenção de benefícios por vários anos, incluindo um estudo que acompanhou pacientes, em média, por 12 anos em um único centro. Mas a base de longo prazo ainda é limitada e sujeita a vieses próprios de estudos observacionais.

Acompanhamento prolongado não é sinônimo de garantia permanente.

Depois da cirurgia ainda pode ser necessário tratamento conservador?

Sim. A necessidade pode diminuir em algumas pessoas, mas não existe base para garantir que toda pessoa deixará definitivamente de precisar de compressão, exercício, manejo de peso ou outras estratégias após a cirurgia.

Conservador ou cirurgia: qual é melhor?

São intervenções com objetivos parcialmente diferentes.

O tratamento conservador atua principalmente sobre sintomas, função, qualidade de vida, autocuidado e comorbidades. A cirurgia acrescenta remoção direta de tecido adiposo subcutâneo nas áreas tratadas.

No LIPLEG, cerca de 68% das participantes do grupo cirúrgico tiveram redução de pelo menos dois pontos na dor, em uma escala de zero a dez, frente a cerca de 8% no grupo conservador. A avaliação ocorreu 12 meses após a última cirurgia ou 12 meses após a distribuição dos grupos, respectivamente. Todas haviam passado por cuidado conservador inicial; muitas continuaram esse cuidado após a cirurgia.

Os eventos adversos foram mais frequentes no grupo cirúrgico. Eventos graves ocorreram nos dois grupos; a diferença no total desses eventos permaneceu estatisticamente incerta. O estudo incluiu mulheres com dor persistente, foi realizado em centros experientes e não comparou cirurgia com ausência de cuidado. Os resultados de acompanhamento prolongado ainda precisam ser conhecidos.

A escolha do tratamento deve considerar o sintoma, o objetivo e as condições de saúde de cada pessoa.

Como participar da decisão sobre o tratamento?

Antes de escolher uma intervenção, vale perguntar: qual é o problema que queremos melhorar? Qual benefício podemos realisticamente esperar? Quão boa é a evidência? Quais são os riscos e inconvenientes? Existem alternativas? O que acontece se não fizermos a intervenção agora?

Quanto esse resultado importa para mim?

A decisão deve reunir as evidências disponíveis, os benefícios esperados, os riscos e as preferências da pessoa.

Como avaliar uma promessa de tratamento?

Desconfie de afirmações como “cura o lipedema”, “desinflama a gordura”, “desbloqueia o sistema linfático”, “equilibra os hormônios e elimina a causa”, “derrete a gordura do lipedema”, “esta dieta funciona para todas”, “este aparelho evita cirurgia” ou “cirurgia resolve definitivamente”.

Pergunte: o estudo avaliou pessoas com lipedema?

Havia grupo de comparação? Qual desfecho realmente melhorou? Por quanto tempo? Os riscos foram avaliados? O resultado foi reproduzido? A conclusão divulgada é maior do que o resultado do estudo?

Uma evidência pode ser verdadeira e ainda assim estar sendo usada para sustentar uma promessa maior do que ela permite.

O que possui melhor suporte hoje?

Pilares do cuidado individualizado

Exercício físico; compressão; manejo nutricional, peso e saúde metabólica.

Podem ter papel em situações selecionadas

Terapia descongestiva; drenagem linfática manual; compressão pneumática.

Evidência ainda emergente

Vibroterapia; TECAR e outras tecnologias que ainda necessitam de estudos independentes maiores.

Cirurgia

A lipossucção conta com resultados de um ensaio randomizado favoráveis à redução da dor e à qualidade de vida em pacientes selecionadas. Isso não comprova cura, benefício permanente ou indicação para todas. O acompanhamento clínico continua necessário.

Como se preparar para a consulta?

Algumas anotações podem ajudar a organizar a conversa com o profissional:

  • Quais sintomas incomodam, quando começaram e como variam.

  • O que ficou mais difícil no trabalho, no sono ou nas atividades do dia a dia.

  • Tratamentos já realizados, medicamentos e suplementos em uso, com os benefícios e dificuldades percebidos.

  • As dúvidas que deseja esclarecer e o que espera melhorar com o cuidado.

Leve os exames e relatórios que já tiver. Esse registro serve para apoiar a avaliação, sem substituir a conversa e o exame clínico.

Perguntas frequentes

Lipedema tem cura?

Nenhuma intervenção demonstrou eliminar a causa subjacente da condição. Tratamentos podem produzir benefícios importantes sem que isso seja equivalente a cura.

Toda pessoa precisa fazer drenagem linfática?

Não. Ela pode ter papel sintomático em situações selecionadas, mas não há suporte para uso semanal obrigatório e universal.

Medicamentos como GLP-1/GIP tratam lipedema?

Podem ser usados para condições metabólicas associadas, conforme a indicação de cada medicamento. Há relatos de melhora de sintomas no lipedema, mas as evidências ainda são preliminares e não demonstram reversão da fibrose ou prevenção da progressão.

Gestrinona trata lipedema?

Os estudos disponíveis não demonstraram evidência clínica suficiente de eficácia para essa indicação.

Cirurgia cura lipedema?

Não deve ser apresentada como cura. A cirurgia trata tecido em regiões selecionadas e pode melhorar sintomas e função, mas não demonstrou eliminar a etiologia subjacente.

Quanto maior o estágio, maior a necessidade de cirurgia?

Não. O estágio morfológico isoladamente não deve determinar indicação cirúrgica.

Qual técnica de lipossucção é melhor?

Não há superioridade clínica universal demonstrada entre as principais técnicas estudadas. Isso também não significa que equivalência entre elas tenha sido comprovada.

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Referências selecionadas

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Referências bibliográficas

Conteúdo médico: Dr. Lucas Dourado
Radiologia e Diagnóstico por Imagem
CRM 23069/PE · RQE 11415